21 de novembro de 2008

Naufrago no porto dos desesperados


As ondas mais uma vez se enfurecem no porto dos desesperados
As ondas se quebram , indo e voltando de lado
Amores perdidos, sonhos despedaçados, coisas aqui deixadas
Que jamais por ninguém seriam encontradas
O vento assobia nas pedras falando nomes de quem se perdeu
Com seus pedidos de ajuda sussurrados

Nem o sol nem a lua mostram suas faces nesse amaldiçoado lugar
As nuvens e as brumas não deixam que as luzes toquem as areias
Que encobrem os ossos dos que daqui não podem voltar
O sibilar dos metais dos barcos despedaçados no cais ate parecem falar
Cantando um cantiga soturna de tilintares sibilos vazios

O porto dos desesperados nunca conheceu um sorriso
Só conhece o frio da solidão e o estende a todos a que tocam aquele piso
Aquela areia fria que escondia de todos que haviam passado o medo da solidão
E enganava cada um dos que cruzavam pelas molhadas areias turvas da praia da perdição
Pegadas que não levam a lugar nenhum e mensagens escritas a mão
Por fantasmas renegados que se perderam nas águas sem compaixão
Não existem faróis que guiem ninguém para lugar nenhum nesse porto de solidão

Apenas as estrelas do céu tem coragem de iluminar as brumas desse lugar
A noite o frio te corta e não há fogo que possa te esquentar
Não há caminho que te livre do destino incerto de te perder mar
Não há inicio não há fim, não há entrada ou saída que daqui vá te levar
Por mais que você evite você vai parar nesse lugar

Basta saber que será que vai vir te buscar

E o que eu espero perdido nesse lugar...

Sabe como vai terminar... Aqui no porto dos desesperados você não pode me escutar ... Espera o vento te contar...


Espero que tenhas gostado do que o vento me soprou ^^

20 de novembro de 2008

Outra visão


Olhando bem....o mundo visto daqui do chão não e tão ruim
O céu parece mais perto, não da tanto medo de cair
O mundo rodando sobre a sua cabeça podendo te pisotear
E tudo que o seu corpo quer é dormir...

A queda não foi tão ruim... Por um momento dela eu soube o que era voar
O tempo correu mais lento, pude sentir o vento aos poucos me cortar
Cai lento vendo o céu se afastando manhoso com o negro de uma nuvem nublada
Gotejando aos poucos uma pequena cascata de gotas de prata..

Olhando bem o motivo não foi dos piores... me falaram que hoje em dia não se morre por ninguém.
Não existe mais o “amor da sua vida”, nem cara metade, nem o “outro alguém”
Mais não me contaram que tinha coisa tão parecida que pudesse me enganar
Faze-me feliz, me deixar sonhar, criar lembranças de um futuro onde eu nunca iria estar
Fazer-me criar uma perspectiva de um futuro que só dependia da vontade alheia
Que não existiu.
Disseram-me que eu fui tolo, achei que no final disso eu não poderia sorrir
Mais em momento algum não me disseram que eu não poderia desistir...

Ate que eu acho que não sofri tudo que podia...
Ate que no meio dos meus devaneios e das tuas ilusões eu tive esperança
Acho que no meio das esperanças eu tive alegria
Acho que no meio de tantas emoções eu posso dizer que fui como poucos feliz
Como uma criança fora um dia... Andar despreocupado com o mundo sem pensar no amanhã
Andar com um sonho no futuro, andar com um amor no peito como eu sempre quis

Olhando bem aquele não era o pior momento...
Eu não tinha angustia, o choro já afogava meu sofrimento
Já tinha me livrado do medo, já tinha deixado pra traz todo tormento
Tinha guardado o bom que eu havia retirado dela no fundo do meu peito
Como numa grade de prisão, jogando a chave fora e declarando-a perpetua
Agora essas lembranças eram minhas por direito, era tudo rápido, delirante
Se eu não pude ser feliz pra o resto da minha vida seria ao menos naquele instante

Olhando bem aqui onde eu estou não é tão ruim...
Eles me olham horrorizados e tristes mais eu não estou ruim assim
Eu apenas desisti, eu apenas decretei meu fim
Eu tentei tocar no céu pela segunda vez com as ultimas forças que tinha e cai
Agora tenho o chão frio como cama
E a ultima coisa que vou ver será esse céu nublado
Molhando meu rosto com suas lagrimas e urrando trovões de tempestade
Com se não quisesse apenas me deixar dormir...

Ele não entende que apenas acabou e
Espero que tenhas gostado do que o vento me soprou ^^

15 de novembro de 2008

Fantasmas de uma noite de lembraças


O fantasma do que já houve entre nós mais uma vez me assombrou
Aquele medo de te perder já tornara meus dias sem tua presença
Dos mais medonhos filmes de terror
Nem me caderno de anotações parecia ser meu amigo
Seguir sem você era necessário
Apesar de não me fazer qualquer idéia de como
Ou como qualquer poeta escrevia gritar aos quatro ventos
Que “sem você nada disso fazia sentido”

Tentei seguir cantando para espantar os males
Falava a cada um dos meus sentidos pra apenas apoiar o outro
Tentava esquecer-se do tempo que passamos
Esquecer meus devaneios e meus planos que nunca aconteceram
Apoiar-me no que aconteceu para continuar vivendo
Era dos dias com ela que eu mantinha meu calendário

As nuvens engoliam vazias as brumas da lua
Nada acontecia, o tempo seguia
O cigarro queimava quieto no cantinho do cinzeiro
E tentava com a sua fumaça espantar o vazio do meu pensamento
Mais um gole de qualquer coisa que me desfaça a razão
Mais um momento entorpecido que eu vou fugir do seu mundo
Sair da palma da sua mão

Não sei se a bebida já me toma ou se as ilusões da noite já brincam comigo
O vento na cortina já parecem teus cabelos, o escuro do quarto já não parece meu inimigo
O cigarro já se consumia por inteiro, o cansaço e a bebida já haviam me enfraquecido
Tentei mais uma noite fugir de você

Embora depois de tanto tentado, ainda não tenha conseguido

Nessa noite de sombras e lamurias espero que tenhas gostado

De tudo que o vento havia de mim soprado...


Espero que tenhas gostado do que o vento me soprou ^^

12 de novembro de 2008

Foi mais ou menos assim...


Parecia mais uma tarde qualquer
Com um por do sol manhoso aos poucos sendo abraçado pelo mar
Já não mais ventava pouco aos poucos do céu se despedia o dia
No que parecia ser uma tarde qualquer perdida nas horas
Que na semana não teria nome, e no calendário não contara o dia

O mundo todo havia parado na naquele segundo
O tempo congelado mo momento em que eu havia fitado seus olhos
E via o negro profundo deles que olhava pra mim
Mar desconhecido que parecia não ter fim
Um mar revolto em pensamentos que aos poucos vinha pra cima de mim
E me engolia na sua imensidão

A coragem me abandonara aos poucos
E cada menção de um momento que não fosse aquele me deixara louco
E tua boca ficava mais perto meus sentidos aguçados
E cada segundo eu estava mais perto

Fechei meus olhos com medo e ansiedade pelo que viria
Não sabia se estava apavorado ou perdido de alegria
E tentava manter na minha mente a tua imagem eterna
Tentava enquanto fechara meus olhos guardar aquele momento pra toda vida
E cada vez tua boca ficava mais perto da minha
O medo chegava mais perto e a coragem me mantinha

Mãos suadas tremendo
A mente longe imaginando teus cabelos ao vento
Dançando ao sabor da minha musica favorita
Como as notas levadas pelo vento trazendo ao longe a sua melodia
Encantando meus ouvidos como um encantador de cobras o fazia
Entorpecendo-me aos poucos, de tudo no mundo eu esquecia

Tudo apenas a mim e ela se resumia

A respiração dela se fazia a minha
Era da boca dela a única água que eu queria pra viver
Eram delas meus dias, meus anos, meus segundos
A partir daquele momento ela era apenas tudo
Que eu precisava para viver

E por um segundo meus lábios tocavam os dela
Não me lembro bem por quanto tempo ficamos ali
O que lembro e que aquilo tudo foi mágico, Místico

E nem se quer por um segundo em minha vida eu a esqueci

Espero que tenhas gostado do que o vento me soprou ^^

7 de novembro de 2008

Mesmo que eu não te dissesse


Olhando tuas lagrimas os mares pareciam apenas uma gota
Não adiantara que eu falasse, que eu dissesse, ou mesmo se te calasse
Seguia desenfreado, não conhecia a paz ou qualquer outra coisa
Olhei nos teus olhos e vi o inicio da tua alma, e para motivo do meu espanto
Quem morava neles era a tristeza, que não queria qualquer carinho ou acalanto.

Tentei, briguei, expliquei, conversei tentei ate falar
E por mais que eu tentasse ou que eu me quisesse não a fazia parar
Cada segundo naquelas quatro paredes se tornavam mais longos
E cada uma das paredes a cada momento um pouco menores
E a amargura tentara a fundo tomar conta de mim
O tempo parava e aquilo se tornara sem fim...

O tempo lá não mais jazia
As lagrimas não paravam se quer por um estante
E eu olhava como pedra, como se te ver daquele jeito não me faria nada, que eu não sofria
Mesmo que as minhas quisessem pular por fora dos olhos para conter as suas
O peito apertava e eu nada podia
Eu gritava por dentro, rasgava-me o peito, mais nada dizia.

A única coisa que podia te ser era um ombro amigo
Era tudo que podia fazer, era oferecer para a tua tristeza um abrigo
Um lugar para onde ela pudesse se esconder, esquecer teu coração
E deixasse presa na alma os pedaços que eu pudesse absorver
Livrar de ti todo aquele rancor, sair daquela prisão
Tornar do teu mundo um jardim de rosas
Mesmo que à custa disso o meu se tornasse um porão.

Tentando com a escuridão das minhas intermináveis noites
Recriar-te a felicidade, te trazer a primavera
Mesmo que o inverno me fizesse lei, e saber que no fim o inferno me espera.
Buscar luz pra os teus caminhos no ultimo por do sol do meu mundo
Fazer o vento bailar pelo teus pés, te levar dos mares aos mais fundos
Te fazer feliz a qualquer custo, mesmo que não seja comigo
Esse que tu consideras como amigo, porem escondido dos outros
Atrás dos olhos do mundo deseja e jura do fundo do peito
Que só quer te ver feliz e que mais lindo que como o teu sorriso
Ele não viu nada tão lindo nesse mundo.

Espero que tenhas gostado do que o vento me soprou ^^

4 de novembro de 2008

A Maldição do silencio


Mais uma vez aquela noite se repetia
Debruçado sobre o papel e a caneta nada dizia
E eu ficava pensando nela perdido no mundo da minha escrivaninha
Falava nessa carta o que o peito gritava
E que a garganta não dizia
Que eu a amava e que meu corpo explodia
Que cada dia sem ela era apenas sobrevivência.
Que cada segundo sem ela era como não ter o ar
E do chão sentir a ausência.

Cada Canto do quarto parece querer me falar alguma coisa
Só que ate agora não o entendo, parece um sussurro
Um acalanto ou um lamento?
A Janela me mostrara o olhar calmo da lua
O vazio do tempo e a chuva caindo na rua
Porem me teria que voltar pra o papel
Dizer a ela tudo que sinto
Falar a ela que de tudo aquilo que era mal ela era meu céu.

Doía-me do fundo do peito ver que nossas lembranças
Aos poucos haviam se perdido.
Que não mais estavam nos meus pensamentos
por meramente não terem acontecido
Elas já haviam me abandonado, estava cada vez mais sozinho
Seria impossível tê-la, aos poucos via que estava sendo vencido
Aos poucos a saída estava se fechando, aos poucos nada mais
Era o que haverá sido.

Tudo me parecia confuso, tudo me parecia perdido
Não enxergava mais nenhuma solução
Não tinha mais nenhuma lembrança sua
No papel eu nada havia escrito, peito gritava, garganta calava
A cadeira já não me continha a impaciência
E somente o chão frio era meu amigo
O vento batendo na minha janela
Um cigarro apagando no cinzeiro despreocupado
A lua iluminado cada canto do quarto
Esse que meu mundo particular havia sido
Agora era apenas o lugar onde era cativo
Preso entre as quatro paredes e sem coragem de
Alem delas, um dia ter ido.


O que falar pra ela?
O que dizer a ela?



Mais uma vez essas perguntas me consumiam,
Matavam-me e me mantinha vivo.
Mais uma vez eu estava sofrendo pelo silencio
Por mais uma noite de terror eu não haveria dormido
Nem da garganta nem do papel nenhuma palavra havia saído...


E toda noite me repetira esse momentos...

...E eu espero que tenhas gostado do que me soprou o vento.

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