4 de novembro de 2008

A Maldição do silencio


Mais uma vez aquela noite se repetia
Debruçado sobre o papel e a caneta nada dizia
E eu ficava pensando nela perdido no mundo da minha escrivaninha
Falava nessa carta o que o peito gritava
E que a garganta não dizia
Que eu a amava e que meu corpo explodia
Que cada dia sem ela era apenas sobrevivência.
Que cada segundo sem ela era como não ter o ar
E do chão sentir a ausência.

Cada Canto do quarto parece querer me falar alguma coisa
Só que ate agora não o entendo, parece um sussurro
Um acalanto ou um lamento?
A Janela me mostrara o olhar calmo da lua
O vazio do tempo e a chuva caindo na rua
Porem me teria que voltar pra o papel
Dizer a ela tudo que sinto
Falar a ela que de tudo aquilo que era mal ela era meu céu.

Doía-me do fundo do peito ver que nossas lembranças
Aos poucos haviam se perdido.
Que não mais estavam nos meus pensamentos
por meramente não terem acontecido
Elas já haviam me abandonado, estava cada vez mais sozinho
Seria impossível tê-la, aos poucos via que estava sendo vencido
Aos poucos a saída estava se fechando, aos poucos nada mais
Era o que haverá sido.

Tudo me parecia confuso, tudo me parecia perdido
Não enxergava mais nenhuma solução
Não tinha mais nenhuma lembrança sua
No papel eu nada havia escrito, peito gritava, garganta calava
A cadeira já não me continha a impaciência
E somente o chão frio era meu amigo
O vento batendo na minha janela
Um cigarro apagando no cinzeiro despreocupado
A lua iluminado cada canto do quarto
Esse que meu mundo particular havia sido
Agora era apenas o lugar onde era cativo
Preso entre as quatro paredes e sem coragem de
Alem delas, um dia ter ido.


O que falar pra ela?
O que dizer a ela?



Mais uma vez essas perguntas me consumiam,
Matavam-me e me mantinha vivo.
Mais uma vez eu estava sofrendo pelo silencio
Por mais uma noite de terror eu não haveria dormido
Nem da garganta nem do papel nenhuma palavra havia saído...


E toda noite me repetira esse momentos...

...E eu espero que tenhas gostado do que me soprou o vento.

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