16 de novembro de 2011

Ensaio sobre a solidão


É indispensável ser sozinho
É indispensável ter carinho
é indispensável ser amado
difícil é não tê-los o quanto se tem dado.

Cada canto da casa parece dela
cada viga, parede, flanela
cada canto tem aqueles olhos me aguardando
era como se tudo por ela estivesse clamando...

O sofá, a cama, a mesa do canto
cada lembrança, cada pranto
eu acho que ainda vejo seu rosto
talvez teu fantasma, tendo as sombras em manto

Onde eu olho eu a vejo
no canto do olho ou de lampejo
o vento leva das fronhas e lençóis
um pouco do seu cheiro...

deixei cada grão de poeira
não mexi na casa inteira
pra manter ela por aqui
tenho medo de esquece-la, de deixar ela partir

E quando em sono me encontro
nas cobertas a me deitar
ainda sinto que respiras
ainda sinto me beijar

Faz falta cada coisa
até as que podiam me irritar
Infelizmente eu só descobri que a amava
Quando a vi por aquela porta passar

E mais uma vez, tenho como companheira a solidão
Procuro os olhos dela no escuro
nessa minha insistência vã
tento não deixa-la ir embora, prende-la no meu coração
Espero que tenhas gostado do que o vento me soprou ^^

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